Atualmente a Olimpíada de Química no Estado de São Paulo – OQSP – apresenta-se como uma prova anual que seleciona alunos para a olimpíada nacional de química – OBQ. Um aspecto negativo dela é o nível de exigência de seu conteúdo: a OQSP parte de conhecimentos do ensino médio, explorados numa prova baseada em um tema anual com experiências realizadas no mesmo dia; a OBQ, por sua vez cobra conteúdos que vão além do ensino médio. O intervalo de tempo entre as duas provas é de, em geral, apenas 2 meses. Não se espera que um aluno de uma escola qualquer consiga avançar tanto no programa em tão pouco tempo. Daí, nós, um grupo de ex-olímpicos de química decidimos agir a fim de reforçar e aprimorar o conhecimento dos alunos que farão a prova da OBQ. Alguns pontos são destacados como úteis, ou de grande mudança:

* Aproximação da OQ em relação aos alunos;
* Fornecimento de material de estudo como bibliografia, listas de exercícios, artigos científicos, aulas gravadas (que seriam divulgadas na internet, por exemplo), aulas presenciais, entre outros;
* Curso de férias – a fim de trazer alunos a um nível superior do conteúdo químico;

Um aluno tem consciência de sua participação na OQSP por volta do mês de março/abril. O tema da olimpíada já está fixado desde setembro do ano anterior. Se fossem enviados exercícios sobre o assunto aos alunos convocados, uma lista preparatória, tal qual a da Olimpíada Internacional de Química (IChO), ou arquivos didáticos e aulas, o competidor estaria melhor preparado e entendendo melhor o assunto. Os estudantes resolveriam os exercícios opcionalmente, em virtude da vontade de aprender devido à competição oferecida pela olimpíada e, por consequência, se desenvolveriam intelectualmente. Ou ainda, esse material poderia ser aproveitado pelas escolas num tipo de preparação para a olimpíada, mas dirigida, como é realizado em diversos países com sucesso. Observe que, ao trazer o aluno a um universo mais concreto do ensino, estaríamos criando pessoas com real interesse em estudar química, ingressando numa universidade e seguindo com os estudos nessa área. Recebendo apoio de diversas indústrias, por exemplo, tais estudantes, desde cedo, já encabeçados para estudar e pesquisar, seriam muito bem recebidos no mercado de trabalho. Além disso, a participação de professores universitários, ou até mesmo ex-olímpicos (alunos que participaram das OQ obtendo grandes resultados), influenciaria no crescimento intelectual dos alunos, mesmo que em uma determinada matéria (a química) e elevaria de forma significativa a educação destes. O Brasil vem obtendo grandes resultados na Olimpíada ibero-americana de química (OIbQ), porém o Estado de São Paulo não envia, em geral, alunos para essa competição: os alunos são provenientes do nordeste, com destaque ao Estado do Ceará, o qual fornece grande apoio aos alunos, incentivando-os. Numa visão global, o Brasil ocupa uma posição não muito boa – sem destaque – ficando muito atrás de países como a China, Rússia, Coréia do Sul e Estados Unidos. Tais países têm um forte programa em educação. O aluno é incentivado a participar de olimpíadas pelo governo e é incorporado ao sistema universitário direto, realizando a graduação, e pós-graduação, e indo para a pesquisa científica. Uma criança que vem de ensino público, cuja família não apresenta nenhum membro com ensino superior, diante de uma oportunidade dessas, teria uma guinada em sua vida, tanto de maneira financeira como social. Dessa forma, os objetivos gerais da OBQ, e então da OQSP, seriam alcançados mais agilmente:

* Descobrir jovens com talento e aptidão para o estudo da Química, estimulando a curiosidade científica e incentivando-os a se tornarem futuros profissionais nesta área;
* Implantar, na população jovem, o interesse pelo estudo desta ciência, e permitir aos estudantes que apliquem seus conhecimentos e suas habilidades com um espírito olímpico;
* Promover, através das Olimpíadas de Química, o entrosamento de professores da Universidade e professores e estudantes das escolas de ensino médio e fundamental, visando enriquecer suas formações;
* Estimular o ensino, o estudo e a pesquisa no campo da Química capacitando-os a promover os benefícios que esta ciência pode oferecer à humanidade;
* Contribuir para a formação de quadros na área de Química, com a consequente alimentação dos cursos de pós-graduação e reposição do contingente de docentes e de pesquisadores.

Não há, portanto, discordância do regulamento oficial. Com a aproximação da olimpíada e dos alunos, obteríamos estudantes com um maior nível de aprofundamento na matéria e com uma real vontade de estudar química, tendo um amplo conhecimento, de modo a não haver mais participantes meramente curiosos, e sim, mais bem preparados.

Atualmente, o treinamento para as olimpíadas parte da iniciativa privada, dos colégios particulares. Isso cria um monopólio de alunos de um grupo seleto de escolas, cerca de 4 em toda a unidade federativa. Tomando a iniciativa de fornecer subsídios de estudo, tais quais aulas à distância (via internet), listas de exercício abrangendo todas as áreas da química com uma vasta variedade de complexidade, e um curso de férias, as escolas poderiam se aproveitar disso intensificando o estudo, ou a iniciativa poderia auxiliar na própria preparação do aluno.